Roteiro religioso em Malta
Se você é católico e está planejando visitar a ilha de Malta, a minha dica é que inclua o roteiro religioso em Malta no seu planejamento de viagem. Afinal, são cerca de 365 igrejas espalhadas pelo território maltês. Muitas delas monumentais e cheias de história. Além disso, relíquias, obras de arte e tradições vivas mostram a forte ligação entre Malta e o cristianismo ao longo dos séculos.
Mas mesmo que você não siga o catolicismo — ou não tenha religião — esse percurso vai muito além da devoção. Ele te convida a mergulhar na história da ilha e em capítulos importantes da própria humanidade, preservados em templos, museus e tradições que atravessaram gerações.

Malta e o cristianismo
A história cristã de Malta remonta ao ano 60 d.C., quando São Paulo naufragou na ilha durante sua viagem a Roma. Segundo a tradição, o apóstolo evangelizou os habitantes locais e plantou ali as primeiras sementes da fé cristã.
Desde então, o cristianismo passou a moldar de forma profunda e inseparável a identidade da nação. Atualmente, Malta é considerada um dos países mais católicos da Europa. Inclusive, na ilha, a religião influencia não apenas a vida espiritual, mas também a cultura, as leis e muitas tradições populares.

Os Cavaleiros da Ordem de Malta
Com certeza, se você pesquisou sobre a ilha de Malta, já encontrou alguma referência aos Cavaleiros de Malta. O fato é que a Ordem de São João, também conhecida como Hospitalários, Cavaleiros de Malta ou simplesmente Ordem de Malta, possui uma história milenar que ainda hoje marca profundamente a identidade da ilha.
A ordem surgiu em Jerusalém por volta de 1050, quando um grupo de homens fundou um hospital destinado a acolher e cuidar dos peregrinos que viajavam para a Terra Santa.
Com o tempo, após receber a aprovação papal para suas atividades hospitalares, os cavaleiros ampliaram rapidamente sua influência. Posteriormente, passaram a governar Malta por cerca de 250 anos e, durante esse período, transformaram profundamente a paisagem da ilha.
Inicialmente, instalaram-se nas Três Cidades de Malta, onde ergueram fortalezas defensivas para proteger o território. Com o passar do tempo, também modernizaram a estrutura urbana das vilas e construíram alguns dos marcos arquitetônicos mais importantes da atual Valletta, como:
- a Co-Catedral de São João;
- o Forte de São Telmo;
- o Palácio do Grão-Mestre;
- o Teatro Manoel.
Até hoje, o símbolo da cruz de oito pontas permanece como um dos maiores ícones nacionais, visível na arquitetura, na cultura e até nas inúmeras lojas de souvenirs que celebram essa herança histórica. Por isso, é quase impossível caminhar por Malta sem encontrar alguma referência aos Cavaleiros de Malta. Sério, em praticamente todas as lojas que você visitar, haverá algum objeto, símbolo ou lembrança que remete à ordem e ao legado que ela deixou na ilha.

Principais igrejas de Malta para incluir no roteiro religioso
Como mencionado no início deste texto, Malta possui cerca de 365 igrejas espalhadas pela ilha. Por isso, pode ser difícil escolher quais merecem a sua atenção durante a viagem. Pensando nisso, selecionei aqui algumas das igrejas mais importantes que você precisa incluir no seu roteiro.
Concatedral de São João
Comece sua visita na Concatedral de São João, localizada em Valletta, que também funciona como museu e abriga importantes obras de arte. Entre elas está a famosa pintura "A Decapitação de São João Batista", do artista Caravaggio.
Além disso, o interior da igreja é ricamente decorado em estilo barroco, o que torna a visita ainda mais impressionante. Mas, com certeza, um dos elementos que mais chamam a atenção são as pedras de mármore que revestem o piso da nave central. Nelas estão os túmulos de cerca de 400 cavaleiros da Ordem de São João, entre os quais se destaca o fundador da capital maltesa, Jean Parisot de Valette.

Rotunda de Mosta
Uma das igrejas mais impressionantes que visitei durante minha viagem foi a Rotunda de Mosta, oficialmente chamada de Basílica da Assunção de Nossa Senhora. Conhecida por ter a maior cúpula de Malta, a igreja impressiona não apenas pelo tamanho, mas também pela história marcante que carrega.
Durante a Segunda Guerra Mundial, uma bomba atravessou a cúpula enquanto uma missa estava sendo celebrada, mas, surpreendentemente, não explodiu — episódio que ficou conhecido como o Milagre de Mosta. No interior da igreja é possível ver uma réplica dessa bomba, e nos subterrâneos você pode visitar os antigos abrigos usados pelos fiéis durante os bombardeios. Eu garanto que vale a pena conhecer os abrigos, pois eles vão transformar sua visita em algo ainda mais impactante.
Entretanto, antes de ir, vale lembrar que as igrejas em Malta costumam ter um código de vestimenta rigoroso. Por isso, evite roupas muito curtas, shorts ou regatas. Inclusive na minha visita, uma colega que estava comigo quase não conseguiu entrar por estar de regata, mas acabou recebendo um xale emprestado para cobrir os ombros. Mesmo assim, o melhor é já ir preparado, garantindo que ombros e joelhos estejam cobertos para aproveitar a visita sem preocupações.


Catedral de São Paulo
Outra igreja que você precisa incluir em seu roteiro religioso em Malta é a Catedral de São Paulo, localizada no coração de Mdina. Ela é considerada uma das principais atrações católicas da ilha e ganhou a forma atual no século XVII, quando o arquiteto Lorenzo Gafà reconstruiu o edifício em estilo barroco após os danos causados pelo terremoto de 1693.
A visita é especial tanto pela história quanto pela riqueza artística. Segundo a tradição, a catedral foi erguida no local onde o apóstolo Paulo teria convertido o governador Públio ao cristianismo. Além disso, no interior, você encontra um verdadeiro tesouro visual, com afrescos detalhados, pinturas de Mattia Preti e um piso de mármore formado por lápides coloridas que contam parte da história da nobreza local.


Basílica de Nossa Senhora do Monte Carmelo
Em Valletta, você encontra um dos grandes tesouros da Igreja Católica em Malta: a Basílica de Nossa Senhora do Monte Carmelo. A igreja se destaca na paisagem da cidade graças à sua arquitetura neoclássica e à enorme cúpula oval que domina a paisagem. Ao entrar, você logo se impressiona com as colunas de mármore vermelho, que dão ainda mais grandiosidade ao interior.
Além da beleza arquitetônica, a basílica também guarda importantes expressões de fé e arte. Inclusive, o interior abriga uma antiga pintura da padroeira da Ordem Carmelita e outras obras religiosas que revelam a devoção dos fiéis. Outro ponto positivo é a localização estratégica, pois o templo fica a poucos passos do centro de Valletta, próximo à Catedral Anglicana de São Paulo.
Como a basílica mantém missas e celebrações durante toda a semana, vale a pena visitar o local com silêncio e respeito, aproveitando a oportunidade para observar de perto as tradições religiosas ainda vivas na ilha.


Igreja do Naufrágio de São Paulo
Por fim, faça uma parada curiosa e histórica na Igreja Paroquial Colegiada do Naufrágio de São Paulo, localizada em Valletta. Concluída em 1582, essa igreja figura entre as mais antigas e significativas do arquipélago maltês. O arquiteto Girolamo Cassar projetou o edifício para celebrar a chegada do apóstolo Paulo à ilha no ano 60 d.C., que, como mencionado no início desse texto, foi um acontecimento que marcou profundamente a história cristã de Malta.
Além da importância histórica, o interior da igreja guarda verdadeiros tesouros religiosos e artísticos. Entre eles, destaca-se uma relíquia com parte do osso do punho de São Paulo e o pedestal de mármore onde, segundo a tradição, o apóstolo teria sido decapitado em Roma. Ao mesmo tempo, você também se impressiona com os afrescos vibrantes que retratam a vida do santo e com a magnífica estátua de madeira esculpida por Melchiorre Cafà, levada em procissão pelas ruas durante as festividades anuais.

Catacumbas de São Paulo (Gruta de São Paulo)
Como você já deve ter percebido, São Paulo é uma figura central na história do cristianismo em Malta. A devoção ao apóstolo aparece em várias igrejas dedicadas a ele — inclusive na única basílica anglicana da ilha. Além disso, você também pode visitar o local que, segundo a tradição, foi onde o santo viveu durante os três meses em que permaneceu em Malta.
Por isso, a chamada Gruta de São Paulo, localizada em Rabat, perto de Mdina, é um dos lugares mais interessantes desse roteiro. O espaço é pequeno e subterrâneo, então pode causar algum desconforto em quem tem claustrofobia. Ainda assim, se esse não for o seu caso, vale muito a visita.
Além do valor religioso, a gruta também representa um importante tesouro histórico da ilha e caminhar por ali quase dá a sensação de voltar no tempo e imaginar como teria sido a vida de São Paulo naquele período.


Festa de Santa Marija (Assunção de Nossa Senhora)
Entretanto, se você deseja vivenciar intensamente o turismo religioso em Malta, vale a pena planejar sua viagem durante a tradicional festa de Santa Marija, que celebra a Assunção de Nossa Senhora no dia 15 de agosto. Considerada a maior e mais popular celebração religiosa da ilha, a festa mobiliza diversas cidades, como Mosta, Mqabba, Qrendi, Gudja, Għaxaq, Birkirkara e Victoria, em Gozo.
Embora a data principal seja 15 de agosto, as comemorações costumam ocorrer entre o fim de julho e a segunda quinzena de agosto. Durante esse período, as paróquias competem de forma animada para realizar a celebração mais bonita. As celebrações contam com procissões, bandas, ruas decoradas, fogos de artifício e comidas típicas. Igrejas como a Rotunda de Mosta e a Catedral da Assunção se destacam nas festividades, que transformam as cidades em verdadeiros cenários de celebração.

Outras Festas religiosas maltesas
Além da festa de Santa Marija, Malta também celebra muitas outras festas religiosas ao longo do ano. Em geral, cada cidade ou vila homenageia seu santo padroeiro com procissões, missas solenes, bandas musicais, fogos de artifício e ruas ricamente decoradas.
Por isso, acredito que participar de uma dessas celebrações é uma excelente forma de conhecer de perto a fé e as tradições maltesas, já que as festividades mobilizam comunidades inteiras. Abaixo, você confere algumas das principais festas religiosas celebradas em Malta:
- Semana Santa (Ġimgħa l-Kbira): Durante esses dias, diversas cidades organizam procissões solenes que representam a Paixão de Cristo, com imagens religiosas, encenações e participação intensa dos fiéis, tornando a celebração uma das manifestações religiosas mais marcantes da ilha.
- Festa de São Paulo (10 de fevereiro): A data recorda a chegada do apóstolo ao território maltês, evento que, segundo a tradição, marcou o início da difusão do cristianismo na região.
- São Pedro e São Paulo (L-Imnarja) - 29 de junho: Uma das festas mais antigas de Malta, essa celebração reúne tradições populares como música, comidas típicas e eventos festivos. As comemorações acontecem principalmente em Rabat e nos jardins de Buskett.
- Festas de Verão (Village Feasts): Entre maio e setembro, cada paróquia em Malta celebra seu santo padroeiro com grandes festas locais. As comemorações incluem procissões, fogos de artifício, iluminações, bandas musicais e ruas decoradas.




Vale a pena fazer um roteiro religioso em Malta se não sou cristão?
Minha resposta para esse questionamento é sim. Mesmo que você não seja cristão ou não siga nenhuma religião, a presença do cristianismo em Malta vai muito além da fé. Ela está profundamente ligada à história da ilha e também se manifesta em importantes expressões artísticas, presentes nas igrejas, na arquitetura e nas tradições locais.
Por isso, mesmo que o seu interesse seja principalmente histórico ou cultural, fazer um roteiro religioso em Malta continua sendo uma experiência muito enriquecedora. Pois, a atmosfera religiosa aparece em praticamente cada esquina da ilha e revela alguns dos tesouros históricos e culturais mais importantes do país.
E se você quiser descobrir o que ver e fazer em Malta e conhecer também alguns dos principais museus da ilha, não deixe de conferir nossos outros conteúdos sobre o destino.